Na quarta‑feira, 23 de setembro, o presidente da Argentina, Javier Milei, fez um discurso contundente na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, acusando a entidade de ser ineficaz e reafirmando a reivindicação de soberania sobre as Ilhas Malvinas. A fala ocorreu durante a sessão de abertura da Assembleia, onde líderes mundiais se reúnem para debater questões globais.
Críticas à ONU e a retórica de Milei
Milei descreveu a ONU como uma organização “inútil” que serviria apenas a uma “casta de parasitas arrogantes”. O presidente argumentou que a instituição falha em garantir segurança coletiva e direitos humanos, permitindo que o caos e o terrorismo se espalhem sem controle.
Ele enumerou as principais falhas que, segundo ele, caracterizam a atuação da ONU:
- Incapacidade de fazer valer suas próprias resoluções.
- Passividade diante de conflitos como a disputa das Malvinas.
- Promover políticas que, na visão de Milei, violam a soberania nacional.
Além disso, Milei afirmou que seu governo não aguardará a comunidade internacional para agir, prometendo medidas concretas contra o que chamou de “inação” da ONU.
Histórico da disputa pelas Ilhas Malvinas
As Ilhas Malvinas, conhecidas como Falkland pelos britânicos, são um arquipélago de cerca de 11 700 km² localizado a aproximadamente 600 km da costa argentina. A soberania das ilhas tem sido objeto de disputa desde o século XIX, culminando na guerra de 1982.
Alguns marcos históricos são essenciais para compreender a complexidade do conflito:
- 1833 – O Reino Unido assume o controle administrativo das ilhas.
- 1982 – Guerra das Malvinas, com 649 soldados argentinos e 255 britânicos mortos.
- Década de 1990 – Retomada das relações diplomáticas entre Argentina e Reino Unido.
- 2013 – Referendo no qual 1 513 de 1 517 eleitores escolheram permanecer sob administração britânica.
Embora o Brasil reconheça a reivindicação argentina, a comunidade internacional, por meio da ONU, classifica as Malvinas como território não‑autônomo e recomenda negociações entre Buenos Aires e Londres.
Implicações políticas e econômicas atuais
O discurso de Milei surge em um momento de intensificação da pressão econômica sobre a exploração de recursos nas ilhas. O governo argentino apresentou ao Congresso um projeto que amplia sanções contra empresas, acionistas e fornecedores que atuem nas Malvinas sem autorização argentina.
Essa iniciativa visa proteger o potencial de exploração de petróleo e gás, recursos que poderiam gerar receitas significativas para a Argentina. Ao mesmo tempo, a medida pode gerar atritos com investidores internacionais e com o Reino Unido, que defende a liberdade de exploração sob sua jurisdição.
O tema voltou à mídia global durante a Copa do Mundo de 2022, quando jogadores argentinos celebraram a vitória sobre a Inglaterra exibindo faixas com a frase “Las Malvinas son Argentinas”. Esse gesto reforçou a conexão simbólica entre esporte e política nacional.
Além das sanções, Milei tem adotado uma postura confrontadora em relação a outras organizações multilaterais. Ele retirou a Argentina da Organização Mundial da Saúde (OMS), acusando-a de promover um “experimento global de controle social” durante a pandemia de Covid‑19.
Essas ações refletem uma estratégia de reafirmação da soberania nacional, ao mesmo tempo em que desafiam o multilateralismo tradicional. O futuro da disputa dependerá, em grande parte, da disposição das partes em negociar e da pressão de atores externos, como os Estados‑Unidos e a União Europeia.








