O candidato a deputado federal Wanderley Montanholi recebeu apenas 27 mil reais de um acordo que previa 200 mil reais, em meio à campanha eleitoral de 2026 no Brasil. O repasse, que corresponde a 13,5% do valor prometido, foi feito pelo partido Avante, que detém 72,5 milhões de reais do Fundo Eleitoral. A situação levanta dúvidas sobre o comprometimento do partido com candidatos neurodivergentes e pessoas com deficiência.
Promessa de verba e o que foi efetivamente entregue
A campanha de Montanholi informou que o Avante havia firmado um compromisso de repassar 200 mil reais para a sua candidatura. Até o momento, apenas 27 mil reais foram liberados, o que representa menos de um quinto do valor acordado. O restante, segundo a campanha, ainda não tem data de liberação e não há transparência sobre os critérios de distribuição.
Além do valor principal, a campanha destaca que não foram incluídas verbas destinadas às cotas de gênero e raça, que também deveriam compor o total prometido. Essa omissão reduz ainda mais a capacidade de investimento da equipe de campanha, que depende desses recursos para produção de material gráfico, mídia digital e pagamento de colaboradores.
Comparativo dos repasses dentro da mesma chapa
Um levantamento interno da campanha revelou que, na mesma lista de candidatos apoiada pelo Avante, mais de 5 milhões de reais foram repassados a outras candidaturas. Esses números contrastam fortemente com o montante reduzido destinado a Montanholi, que luta por direitos de pessoas com deficiência e autismo.
Os dados apontam que a maioria dos candidatos recebeu valores próximos ao acordado, enquanto a verba de Montanholi ficou significativamente abaixo do esperado. Essa disparidade sugere um tratamento diferenciado que pode ser interpretado como capacitismo institucional.
- Valor total prometido: R$ 200.000,00
- Valor efetivamente repassado: R$ 27.000,00
- Percentual cumprido: 13,5%
- Verbas de cotas ainda não incluídas
- Repasses a outros candidatos da chapa: > R$ 5.000.000,00
Repercussões na campanha e na comunidade
Wanderley Montanholi afirma que a falta de recursos compromete a previsibilidade necessária para planejar e executar uma campanha competitiva. Sem o dinheiro adequado, torna-se inviável imprimir materiais, impulsionar conteúdos nas redes sociais e remunerar a equipe de apoio.
O candidato também critica a postura do Avante, que tem um psiquiatra como candidato a presidente do partido e defende pautas de saúde mental, mas não garante recursos a neurodivergentes dentro de sua própria legenda. Ele descreve a situação como “capacitista e incoerente”.
Além do impacto imediato na campanha, a questão tem repercussão na comunidade de pessoas com deficiência, que vê no candidato um porta‑voz para suas demandas. A falta de apoio financeiro pode ser interpretada como desrespeito às necessidades de grupos historicamente marginalizados.
Montanholi questiona publicamente: “Como é possível fazer uma campanha competitiva sem recursos, ou sem receber valores do fundo em tempo hábil para organizar a produção de materiais impressos, impulsionar conteúdo e remunerar equipes?”. Ele conclui que a campanha foi estruturada para ser “minguada”, ou seja, deliberadamente enfraquecida.
Os órgãos de fiscalização eleitoral ainda não se pronunciaram sobre a possível violação de normas de financiamento de campanhas. Caso seja comprovado que o partido favoreceu alguns candidatos em detrimento de outros por motivos discriminatórios, podem ser aplicadas sanções.
Entretanto, a campanha de Montanholi continua a buscar respostas junto ao Avante. Até o momento, o partido tem fornecido respostas vagas, sem definição objetiva sobre quando os recursos restantes serão disponibilizados.
Essa disputa evidencia a necessidade de maior transparência nos repasses de verbas eleitorais, especialmente quando envolvem candidatos que representam minorias. O caso pode servir de alerta para outros partidos e para a sociedade civil, que demandam igualdade de tratamento e respeito à diversidade.
Se a situação não for resolvida antes do encerramento do período de campanha, Montanholi corre o risco de não conseguir alcançar eleitores suficientes para garantir a vaga na Câmara dos Deputados. A falta de recursos pode, portanto, impactar diretamente o resultado das eleições e a representatividade de pessoas com deficiência no Legislativo.








