Durante a sabatina no programa Veja em Foco, o escritor e candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, contestou a queda de sua intenção de voto nas pesquisas eleitorais. Ele afirmou que os números divulgados não refletem o que tem observado em suas viagens pelo país. A entrevista foi ao ar na noite de 22 de setembro, em São Paulo.
Cury questiona a queda nas pesquisas
Ao ser questionado sobre a redução de sua intenção de voto após ter aparecido em terceiro lugar em levantamentos anteriores, Cury explicou que parte das oscilações está dentro da margem de erro. Segundo ele, a percepção nas ruas é diferente da apresentada pelos institutos de pesquisa.
“É estranho. Onde eu vou, seja em feiras, no Mercado Municipal de São Paulo, no Rio Grande do Sul ou em Minas, as pessoas me abraçam coletivamente e dizem que vão votar em mim”, declarou o candidato. Essa impressão de apoio popular contrasta com a queda registrada nas pesquisas.
Cury reforçou que acredita que o resultado das urnas poderá surpreender. “Eu acho que dia 4 de outubro nós vamos ter uma grande surpresa”, afirmou com convicção.
A alegação de interferência dos algoritmos
O candidato relacionou a expectativa de surpresa ao número de eleitores que ainda não se manifestam publicamente. “Há milhões, dezenas de milhões de pessoas silenciosas que não se expressam”, explicou.
Ele também apontou um aumento significativo no número de publicações sobre sua candidatura a partir de agosto. Os dados apresentados foram:
- Publicações em agosto: cerca de 1.200
- Publicações após agosto: mais de 48.000
- Reconhecimento antes da expansão: 5% a 10% dos eleitores
- Reconhecimento após a expansão: 35% dos eleitores
Segundo Cury, o algoritmo das redes sociais teria barrado o alcance de seus conteúdos de forma “cruel”. Ele recebeu relatos de apoiadores que acreditam que a redução de alcance seria uma tentativa de prejudicar sua candidatura.
O engajamento, segundo o próprio candidato, caiu de mais de 3% para 0,7%. Essa queda, ele argumenta, evidencia a falta de transparência nos mecanismos de distribuição de conteúdo.
Reação da campanha e pedidos de auditoria
A campanha de Augusto Cury procurou a imprensa nacional e internacional para divulgar a situação. Também foi apresentada uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando uma auditoria independente nos algoritmos das plataformas digitais.
Cury considera que o funcionamento dos algoritmos é pouco transparente. “Você não sabe o que está lá”, disse, ressaltando que a ausência de clareza compromete o debate democrático.
Além de sua própria candidatura, o escritor ampliou a crítica ao impacto dos algoritmos sobre influenciadores e à polarização política. Ele afirmou que a distribuição desigual de conteúdos força criadores a recorrer à polêmica e à agressividade para ganhar visualizações.
Em defesa dos pequenos e médios influenciadores, Cury propôs maior remuneração e maior alcance nas plataformas. “As regras precisam ser claras, senão não há democracia”, concluiu.








