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China expande a horta da estação espacial Tiangong e avança na produção de alimentos no cosmos

A China anunciou, nesta terça‑feira, a ampliação da horta na estação espacial Tiangong, localizada em órbita terrestre baixa. O programa, que já conta com mais de 20 variedades de 14 espécies cultivadas, demonstra o progresso da agência espacial chinesa em agricultura extraterrestre. Os resultados foram divulgados durante uma conferência em Tianjin, onde o astronauta Zhang Hongzhang exibiu imagens dos cultivos.

Desafios do cultivo em microgravidade

O principal obstáculo ao cultivo fora da Terra é a ausência de gravidade, que afeta a forma como as raízes absorvem água e nutrientes. Em ambiente microgravítico, as plantas podem apresentar crescimento desordenado, alterações no desenvolvimento das folhas e até dificuldades na polinização. Por isso, os cientistas chineses têm investido em experimentos controlados para entender esses fenômenos.

Além da gravidade, a radiação cósmica representa outro risco significativo. As partículas de alta energia podem danificar o DNA das plantas, comprometendo a germinação e a produtividade. Para mitigar esse efeito, a Tiangong utiliza blindagem parcial e monitoramento constante dos níveis de radiação.

Outro ponto crítico é o ciclo de vida completo das culturas. Enquanto muitas missões anteriores só conseguiram observar a germinação, a China conseguiu que o trigo completasse todo o seu ciclo, desde a semente até a colheita, em ambiente orbital.

Técnicas usadas na Tiangong

Na estação, duas tecnologias distintas são empregadas para o cultivo: o uso de substrato tradicional e a aeroponia avançada. O substrato fornece um meio físico para as raízes, geralmente composto por fibras de coco ou lã de rocha, que retém umidade suficiente.

Já a aeroponia elimina a necessidade de solo, suspending as raízes em uma câmara onde são pulverizadas com uma névoa rica em nutrientes. Essa técnica reduz o consumo de água em até 90% e permite um controle preciso da dosagem de fertilizantes.

Os resultados até agora mostram que ambas as abordagens podem produzir alimentos de qualidade, mas a aeroponia tem se destacado pela rapidez do crescimento e pela eficiência no uso de recursos limitados a bordo.

  • Alface
  • Cenoura
  • Batata
  • Trigo
  • Girassol
  • Tomate‑cereja

Essas espécies foram escolhidas por sua resistência, valor nutricional e facilidade de cultivo em ambientes confinados. Cada planta serve a um propósito específico: folhas verdes como fonte de vitaminas, raízes como reserva de carboidratos e sementes para futuras gerações.

Impactos para missões de longa duração

O objetivo maior do programa é reduzir a dependência de suprimentos enviados da Terra. Em missões que podem durar meses ou até anos, como a planejada estadia de um ano da missão Shenzhou‑23, o transporte de alimentos representa um desafio logístico e de custo significativo.

Ao produzir parte da alimentação a bordo, a tripulação pode economizar peso e espaço, além de contar com uma fonte fresca de nutrientes, o que melhora a saúde e o bem‑estar psicológico dos astronautas.

Bian Qiang, especialista do Centro de Astronautas, explicou que o sistema de cultivo está integrado a tecnologias de reciclagem de água e ar. A água utilizada nas nebulizações aeropônicas é reaproveitada após a filtragem, enquanto o CO₂ exalado pelos astronautas serve como fonte de carbono para as plantas.

Essas sinergias criam um ciclo quase fechado, essencial para missões que se afastam ainda mais da Terra, como as propostas para bases lunares ou habitats marcianos.

Perspectivas futuras: da Lua ao Marte

Com a experiência acumulada na Tiangong, a China já projeta a expansão desses experimentos para a Lua. O plano inclui a construção de módulos agrícolas em bases lunares, onde a gravidade reduzida (1/6 da Terra) exigirá adaptações nas técnicas de cultivo.

Além disso, a agência espacial chinesa está colaborando com outras instituições internacionais para testar o cultivo de grãos de alta densidade energética, que seriam essenciais em missões interplanetárias.

Os pesquisadores também estão estudando a possibilidade de gerar sementes geneticamente modificadas para resistir à radiação e ao estresse hídrico, o que poderia garantir colheitas estáveis em ambientes extremos.

Em resumo, a expansão da horta da Tiangong não é apenas um marco científico, mas um passo estratégico rumo à autonomia alimentar no espaço profundo. Cada semente plantada, cada ciclo concluído, traz lições valiosas para o futuro da exploração humana além da Terra.

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