Em evento realizado na manhã de 22 de março no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o candidato Fernando Haddad apresentou sua visão sobre a reindustrialização do estado. Ele explicou que a estratégia inclui mudanças no Ensino Médio para formar profissionais aptos à chamada Indústria 4.0. A proposta foi feita no contexto da campanha para a governadoria de São Paulo.
Reindustrialização como prioridade de governo
Haddad destacou que a retomada da indústria será um dos pilares de seu plano de governo, caso seja eleito. Segundo ele, a atração de novos investimentos depende de políticas que favoreçam a modernização produtiva. O candidato enfatizou a necessidade de transformar São Paulo em um hub de exportação de bens manufaturados.
Para alcançar esse objetivo, o candidato citou a importância de aproveitar a reforma tributária recentemente aprovada. Ele argumentou que a nova estrutura fiscal pode tornar o estado mais competitivo para empresas nacionais e estrangeiras. Haddad afirmou que o ambiente de negócios deve ser simplificado e mais transparente.
Além de atrair indústrias que já operam no território, Haddad quer trazer companhias de outros continentes. Ele acredita que a diversidade de investidores gera inovação e eleva o padrão tecnológico local. O candidato ressaltou que a presença de multinacionais pode acelerar a transferência de conhecimento.
O plano inclui a expansão da produção voltada ao mercado externo, reduzindo a dependência do consumo interno. Haddad apontou que o Brasil historicamente foca na demanda interna, mas que a mudança de paradigma é urgente. Ele sugeriu que São Paulo se torne referência em exportação de produtos de alta tecnologia.
Como exemplo de regiões estratégicas, o candidato mencionou o ABC, Alto Tietê, Sorocaba, Campinas e Cubatão. Cada um desses polos possui infraestrutura industrial já consolidada. A proposta visa fortalecer esses centros e criar novos polos de desenvolvimento.
Proposta de reforma do currículo do Ensino Médio
Haddad propôs “moldar” o currículo do Ensino Médio para atender às exigências da Indústria 4.0. Ele argumenta que a formação atual não contempla competências digitais avançadas. O candidato quer inserir disciplinas que abordem automação, robótica e análise de dados.
Segundo o candidato, a mudança curricular deve ser feita em parceria com universidades públicas e a Fapesp. Ele acredita que a pesquisa acadêmica pode alimentar o conteúdo das escolas técnicas. O objetivo é garantir que os estudantes tenham contato direto com a ciência aplicada.
Outra medida sugerida é a criação de laboratórios de tecnologia nas escolas públicas. Esses espaços seriam equipados com kits de programação, impressoras 3D e sensores industriais. Haddad afirma que a prática precoce aumenta a empregabilidade dos jovens.
O candidato também defendeu a integração do Sistema S na requalificação profissional. Ele propôs que o Sistema S ofereça cursos de curta duração focados em habilidades demandadas pelo setor industrial. Essa colaboração ampliaria o alcance da formação continuada.
Para garantir a efetividade da reforma, Haddad sugeriu a implementação de avaliações periódicas. Ele quer medir o desempenho dos estudantes em competências digitais. Os resultados seriam usados para ajustar o conteúdo e as metodologias de ensino.
Instrumentos de apoio: bancos, crédito e parcerias
Haddad propôs a criação de um banco de desenvolvimento estadual inspirado no BNDES. O objetivo seria oferecer crédito barato para projetos industriais inovadores. O banco também atuaria como agente de fomento à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico.
- Financiamento de maquinário de alta tecnologia.
- Linhas de crédito para startups de manufatura avançada.
- Suporte a projetos de energia limpa nas indústrias.
Além do banco, o candidato destacou a importância de parcerias entre o setor público e privado. Ele citou a necessidade de apoio técnico especializado para pequenas e médias empresas. A cooperação entre universidades, centros de pesquisa e indústrias seria intensificada.
Haddad também sugeriu a ampliação da agência Desenvolve SP, transformando-a em um banco de desenvolvimento focado na reindustrialização. Essa mudança permitiria maior agilidade na liberação de recursos. O candidato acredita que a flexibilidade financeira é crucial para atrair investimentos.
Para os trabalhadores, a proposta inclui programas de requalificação vinculados ao Sistema S. Haddad quer que esses programas sejam alinhados às demandas das novas fábricas. O objetivo é garantir que a mão de obra local esteja pronta para operar tecnologias avançadas.
Por fim, o candidato ressaltou a necessidade de modernizar o parque industrial existente. Ele propôs incentivos fiscais para a atualização de equipamentos e processos. A modernização, segundo Haddad, aumentará a produtividade e a competitividade no mercado global.
Em síntese, a agenda de Haddad combina reformas educacionais, apoio financeiro e parcerias estratégicas. Ele acredita que essa combinação é a chave para transformar São Paulo em referência industrial. O plano será detalhado ao longo da campanha, buscando apoio de diferentes setores da sociedade.








