Em 25 de setembro de 2024, durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova postura de combate ao narcotráfico, classificando os cartéis como ameaças terroristas. Ele declarou que o exército americano está autorizado a agir contra essas organizações, que ele comparou ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental. A fala ocorreu no plenário da ONU, em Nova Iorque, e gerou reações imediatas de líderes latino‑americanos.
Declarações de Trump na Assembleia Geral
Trump iniciou seu discurso ressaltando a necessidade de reafirmar o poder militar dos EUA em todo o mundo. Segundo ele, “estamos reafirmando o poder americano, inclusive o poder militar quando necessário, na nossa região e no mundo”. O presidente destacou que a decisão de rotular os cartéis de drogas como organizações terroristas foi tomada para legitimar intervenções armadas.
Ele afirmou ainda que os cartéis utilizam “assassinatos, estupros e extorsões como armas de guerra” e que, como o Estado Islâmico, devem ser “mortos, exilados ou presos como combatentes, sem possibilidade de libertação”. A proposta inclui a captura de líderes, a destruição de infraestrutura e a prisão de membros em tribunais militares.
Durante o discurso, Trump comemorou a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que, segundo ele, ocorreu em uma operação militar americana no início do ano. “Prendemos o criminoso Nicolás Maduro e, desde então, centenas de presos políticos venezuelanos foram liberados”, afirmou o presidente dos EUA.
Ele também anunciou que os Estados Unidos fecharam “o maior acordo de petróleo da história”, referindo‑se a um contrato de exploração de reservas venezuelanas que, segundo a administração, beneficiará a economia americana.
Reação de Lula e a posição do Brasil
Logo antes da fala de Trump, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o discurso de abertura da sessão para criticar a “ingerência externa” dos Estados Unidos. Lula declarou que o Brasil não aceita que outros países “terceirizem a responsabilidade” de proteger suas fronteiras contra o crime organizado.
O presidente brasileiro fez referência direta à classificação das facções PCC e CV como grupos terroristas pelos EUA, classificando a medida como um “desaforo” ao país. “Não precisamos de porta‑aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado”, disse Lula.
Lula reforçou que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e que o país continuará soberano, sem permitir que inimigos internos ou externos atentem contra a vontade popular. Ele ainda ressaltou que o povo da Venezuela deve definir seu próprio destino, enviando um recado direto à intervenção americana.
Expansão militar dos EUA na América do Sul
Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico oriental, resultando em pelo menos 230 mortes. A estratégia evoluiu para a interceptação de barcos, retirada das tripulações e transferência dos detidos a países parceiros antes da destruição das embarcações.
Em 18 de setembro de 2024, a emissora CNN revelou que o Exército americano pretende enviar drones MQ‑9 Reaper para a América do Sul, vindos da África. Esses drones são capazes de realizar vigilância de longo alcance e ataques de precisão contra alvos considerados terroristas.
Entre os países que podem receber esses equipamentos está o Equador, que já iniciou ações militares conjuntas com os EUA contra organizações classificadas como terroristas. O movimento faz parte de uma mudança mais ampla na estratégia americana, que agora foca em operações terrestres e aéreas contra o narcotráfico.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, realizou recentemente uma visita estratégica à América do Sul, passando por Equador, Colômbia e Peru. Durante a viagem, ele destacou a importância de fortalecer alianças regionais para combater o tráfico de drogas e o financiamento de grupos armados.
As principais medidas anunciadas pelo governo americano podem ser resumidas da seguinte forma:
- Classificação dos cartéis de drogas como organizações terroristas.
- Autorizações para uso de força militar direta contra líderes e infraestruturas cartéis.
- Envio de drones MQ‑9 Reaper para bases na América do Sul.
- Cooperação com forças armadas de países aliados, como Equador e Colômbia.
- Criação de tribunais militares para julgar combatentes capturados.
Especialistas em relações internacionais alertam que a escalada militar pode gerar tensões diplomáticas na região. A classificação de organizações criminosas como terroristas abre precedentes que podem ser usados por outros países para justificar intervenções semelhantes.
Ao mesmo tempo, grupos de direitos humanos denunciam o risco de violações de direitos fundamentais, especialmente em contextos onde a distinção entre combatente e civil pode ser tênue. A comunidade internacional acompanha de perto as consequências dessas políticas, que ainda não foram plenamente avaliadas.
Em síntese, a fala de Trump na ONU marcou um ponto de inflexão na política de combate ao narcotráfico dos Estados Unidos, enquanto o Brasil reafirmou sua postura soberana e crítica à interferência externa. O desenrolar desses acontecimentos terá impactos significativos na segurança regional e nas relações diplomáticas entre os países das Américas.








