Na terça‑feira, 22 de setembro, o primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de apoiar o Hamas e de incitar tumultos contra a comunidade judaica da cidade. A troca de farpas ocorreu nas imediações da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde Netanyahu se prepara para discursar na quinta‑feira, 24 de setembro.
O vídeo publicado nas redes sociais mostrou Netanyahu apontando Mamdani como responsável por “incitar violência” e por defender “monstros terroristas”. Sem apresentar provas concretas, o líder israelense utilizou a ocasião para reforçar sua narrativa de defesa dos soldados e da segurança nacional.
Acusações públicas e reação nas redes
Na gravação, Netanyahu afirmou que usará sua passagem pela ONU para rebater as críticas de Mamdani, prometendo “dizer a verdade sobre nossos soldados heroicos” e “expor a verdade sobre você”. A linguagem agressiva buscou mobilizar apoiadores internos e internacionais, ao mesmo tempo em que tentou deslegitimar a voz do prefeito.
Mamdani, que já havia denunciado o mandato de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu, respondeu que a comunidade judaica de Nova York não deve ser alvo de intimidação. Ele reiterou que o mandado deve ser cumprido, classificando o primeiro‑ministro como “criminoso de guerra” e “arquiteto de um genocídio”.
A repercussão nas redes foi imediata: usuários dividiram opiniões, enquanto veículos de imprensa internacionais destacaram a escalada de retórica entre duas figuras de grande influência. Comentários em plataformas como Twitter e Facebook variaram entre apoio incondicional a Netanyahu e críticas ao uso de acusações sem evidência.
Contexto jurídico e político da disputa
O embate tem raízes no mandato de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) que acusa Netanyahu de crimes de guerra. Mamdani, ao analisar a possibilidade de executar o mandado em Nova York, reconheceu que a cidade não possui autoridade legal independente para tal ação, mas solicitou ao governo federal dos EUA que aderisse ao TPI.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Netanyahu não seria preso enquanto permanecesse em território americano, reforçando a posição de que a jurisdição local não se sobrepõe às relações diplomáticas entre os países.
Em agosto, o partido Likud divulgou uma peça de campanha que colocava Mamdani ao lado de líderes iranianos e do Hezbollah, sugerindo uma aliança contra o primeiro‑ministro. Netanyahu compartilhou a publicação, ampliando o ataque político.
- 22/09 – Vídeo de Netanyahu acusa Mamdani nas redes sociais.
- 23/09 – Mamdani reforça crítica ao mandatado do TPI.
- 24/09 – Netanyahu faz discurso na ONU, prometendo “defender a verdade”.
- 25/09 – Reação internacional e protestos em Nova York.
Além da campanha visual, Netanyahu divulgou um vídeo produzido com inteligência artificial que mostrava Mamdani conversando com líderes iranianos e membros do Hezbollah, sugerindo uma suposta conspiração para derrubar o governo israelense. A produção gerou debates sobre a ética do uso de IA em campanhas políticas.
Impactos nas relações internacionais e perspectivas eleitorais
A visita de Netanyahu a Nova York para a Assembleia Geral da ONU deverá ser acompanhada por manifestações de grupos pró‑Palestina e críticos da política israelense em Gaza. Organizações de direitos humanos já anunciaram protestos planejados, enquanto apoiadores do primeiro‑ministro esperam um discurso que reforce a posição de Israel no cenário global.
As eleições gerais em Israel, marcadas para outubro, colocam Netanyahu em uma corrida eleitoral histórica, já que ele ocupa o cargo por mais tempo que qualquer outro líder israelense. A retórica agressiva contra críticos externos pode ser vista como estratégia para consolidar apoio interno antes da votação.
Mamdani, como o primeiro prefeito muçulmano de Nova York, tem usado sua plataforma para chamar atenção à situação humanitária na Faixa de Gaza e para questionar as políticas de seu governo de origem. Sua postura tem gerado tanto admiração quanto oposição, refletindo a complexidade das relações entre comunidades locais e políticas internacionais.
O desenrolar desse confronto poderá influenciar não apenas a percepção pública de Israel nos Estados Unidos, mas também a dinâmica das negociações de paz no Oriente Médio. Enquanto Netanyahu busca reforçar sua narrativa de segurança, Mamdani continua a pressionar por responsabilização legal e por um debate mais amplo sobre os direitos humanos.








