Metade dos eleitores brasileiros evita assistir ao horário eleitoral, segundo a pesquisa Quaest divulgada na terça‑feira, 22 de setembro, em todo o país. O levantamento revela que apenas um quarto dos entrevistados presta atenção à propaganda política transmitida pela TV. Os demais preferem manter a televisão ligada sem foco ou desligá‑la completamente.
Perfil do comportamento dos eleitores
Os dados mostram que 25% dos eleitores assistem à propaganda com atenção, analisando argumentos e propostas dos candidatos. Esse grupo costuma estar mais engajado nas discussões políticas e costuma buscar informações adicionais em outras fontes.
Outros 50% adotam estratégias menos ativas: deixam a televisão ligada, mas não se concentram no conteúdo, ou desligam o aparelho ao perceber a transmissão. Essa parcela demonstra um comportamento de “presença passiva”, que pode indicar cansaço ou desinteresse temporário.
Por fim, 24% afirmam que não têm a TV ligada durante o horário eleitoral, optando por outras atividades como navegação na internet, leitura ou simplesmente descansar. Esse número evidencia a diversificação dos hábitos de consumo de mídia no país.
Detalhes da pesquisa Quaest
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas com idade a partir de 16 anos, entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O registro oficial da pesquisa é BR‑06004/2026, e o estudo foi contratado pelos veículos Globo e O Globo. A amostra inclui eleitores de todas as regiões brasileiras, garantindo representatividade nacional.
Os entrevistados foram questionados sobre o que fazem durante a exibição da propaganda eleitoral na televisão. As respostas foram categorizadas em quatro opções principais, apresentadas a seguir:
- Assistir com atenção – 25%
- Deixar a TV ligada sem prestar atenção – 30%
- Desligar o aparelho ao perceber a propaganda – 20%
- Não ter a TV ligada no horário – 24%
Essas categorias permitem entender melhor como a audiência reage ao momento de maior concentração de mensagens políticas.
Impactos na propaganda política
O fato de metade dos eleitores evitar o horário eleitoral tem implicações diretas nas estratégias de campanha. Os candidatos podem precisar repensar a alocação de recursos, investindo mais em formatos digitais, redes sociais e mídia out‑of‑home.
Além disso, a baixa atenção à TV pode reduzir a eficácia dos anúncios de curta duração, que dependem de foco imediato para transmitir mensagens persuasivas. A fragmentação da atenção pode levar a um aumento na produção de conteúdo mais interativo e segmentado.
Outro ponto relevante é a percepção de que a televisão ainda mantém relevância, mas em um papel de apoio, complementado por outras plataformas. A combinação de TV e digital pode gerar sinergias, atingindo tanto o público que presta atenção quanto aqueles que preferem consumir conteúdo em dispositivos móveis.
Empresas de mídia e agências de publicidade também precisam adaptar seus planos de mídia. A inclusão de anúncios programáticos, inserções em streaming e podcasts pode compensar a perda de engajamento na TV tradicional.
Como a mídia pode reagir
Os veículos de comunicação podem explorar formatos que incentivem a atenção do público, como debates ao vivo com interação via redes sociais. A participação do eleitor em tempo real pode transformar o horário eleitoral em um evento mais dinâmico.
Outra estratégia consiste em oferecer resumos curtos e objetivamente informativos, que facilitem a compreensão rápida das propostas. Esses resumos podem ser veiculados antes, durante e depois da propaganda principal.
Além disso, a criação de conteúdo multimídia – vídeos curtos, infográficos e podcasts – pode atrair aqueles que preferem consumir informação em dispositivos móveis. Essa abordagem multicanal amplia o alcance da mensagem política.
Por fim, a colaboração entre partidos, candidatos e plataformas digitais pode gerar campanhas mais personalizadas, baseadas em dados de comportamento do eleitor. Essa personalização aumenta a probabilidade de captar a atenção mesmo de quem costuma evitar o horário eleitoral.








