Nara Couto lançou nesta sexta-feira, 25 de setembro, o primeiro volume do álbum “Travessia”, um projeto que reúne sete faixas e reforça a ligação histórica entre a Bahia e os países africanos de língua portuguesa. O lançamento aconteceu simultaneamente nas principais plataformas de streaming, marcando mais um passo importante na carreira da cantora baiana. O álbum chega como continuação da trajetória iniciada com “Retinta” (2022) e “Ori” (2024).
O lançamento de “Travessia vol. 1”
O primeiro volume foi produzido por Ndu Carlos, com coprodução de Otis Selimane e da própria Nara Couto em três das músicas. Cada faixa traz uma sonoridade que mistura ritmos baianos com instrumentos tradicionais da África ocidental, como o simbi e o tonkorongh. A estreia do álbum foi acompanhada por uma campanha de divulgação que incluiu entrevistas, apresentações ao vivo e conteúdos exclusivos nas redes sociais.
Além da produção de alto nível, o álbum destaca-se pela escolha cuidadosa de colaboradores que representam a diversidade cultural da Lusofonia. O single “Laço ancestral”, divulgado em 21 de agosto, já anunciava a proposta do projeto ao unir a voz de Nara Couto com a do artista guineense Mû Mbana. A letra contém o verso “O outro lado da Bahia vem da África”, resumindo a intenção de criar uma ponte sonora entre os continentes.
Colaborações que reforçam laços culturais
Em “Travessia vol. 1”, Nara Couto reúne talentos de Cabo Verde, Guiné-Bissau e da própria Bahia. Kady, artista cabo-verdiano, aparece em “Herança sagrada”, uma composição coescrita com François Muleka que celebra a memória dos antepassados. Zidi Andrade, também de Cabo Verde, é autor e convidado da faixa “Djunto”, trazendo influências do batuque e do funaná.
Do lado da Guiné-Bissau, Mû Mbana participa de duas músicas, incluindo o já mencionado “Laço ancestral”. Na Bahia, a parceria com Tiganá Santana resulta em “Promessa”, uma canção que mistura a poesia de Nara Couto com a produção de Sued Nunes. Essas colaborações são apresentadas em uma lista que destaca os principais artistas envolvidos:
- Mû Mbana (Guiné-Bissau) – “Laço ancestral” e “Djunto”
- Kady (Cabo Verde) – “Herança sagrada”
- Zidi Andrade (Cabo Verde) – “Djunto”
- Tiganá Santana (Bahia) – “Promessa”
- Admir Lopes & Mimito – “Mindjer doce mel”
- Rafael Mike & Lucas Ramaciotti – “Preta portê”
- Ricardo Alves, Ricardo Quintas & Nara Couto – “Si ma bô”
As faixas “Mindjer doce mel”, “Preta portê” e “Si ma bô” completam o repertório, trazendo ainda mais diversidade ao álbum. Cada música foi cuidadosamente arranjada para que os elementos tradicionais africanos dialoguem com a modernidade da produção brasileira.
A trajetória musical de Nara Couto
Nara Couto nasceu em Salvador, no bairro da Liberdade, e cresceu imersa nas tradições afro‑baianas. Desde cedo, desenvolveu um interesse profundo pela música popular e pelas raízes africanas que permeiam a cultura local. Seu primeiro álbum, “Retinta”, recebeu elogios da crítica por combinar poesia urbana com batidas de raiz.
Com “Ori”, lançado em 2024, a artista aprofundou a exploração de temas de identidade, migração e resistência, colaborando com produtores internacionais e expandindo seu público para além do Brasil. Agora, com “Travessia”, Nara dá um passo ainda maior ao criar um projeto dividido em dois volumes, sendo o segundo previsto para 2027.
Além da discografia, Nara Couto tem se destacado em projetos sociais que promovem a valorização da cultura afro‑descendente. Ela participa de workshops em escolas da Bahia, incentiva jovens músicos a conhecerem instrumentos como o atabaque e o berimbau, e mantém uma presença constante em eventos que celebram a herança africana no Brasil.
Perspectivas para o futuro do projeto
O segundo volume de “Travessia” está programado para ser lançado em 2027, prometendo ampliar ainda mais a rede de colaborações entre artistas da Lusofonia. Nara Couto já indica que pretende incluir parceiros de Portugal, Angola e Moçambique, reforçando a ideia de uma ponte musical que atravessa o Atlântico.
Enquanto isso, a artista continua a divulgar o primeiro volume em turnês nacionais e internacionais. Shows recentes em Lisboa e Luanda já mostraram a receptividade do público europeu e africano ao seu som híbrido. A expectativa é que a turnê se expanda para cidades como Paris, Nova Iorque e Maputo nos próximos meses.
Os críticos têm apontado que “Travessia” representa um marco na música contemporânea brasileira, ao colocar a diáspora africana no centro da narrativa artística. A combinação de produção sofisticada, letras poéticas e a escolha de instrumentos autênticos cria uma experiência auditiva única que convida o ouvinte a refletir sobre suas próprias raízes.
Em resumo, o álbum “Travessia vol. 1” não é apenas um conjunto de músicas, mas um manifesto cultural que celebra a continuidade dos laços entre a Bahia e a África lusófona. A obra reforça a ideia de que a história, a música e a identidade são caminhos interligados que se cruzam a cada geração.








