A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda‑feira (21) que o índice de produção industrial recuou para 46,3 pontos em agosto, sinalizando a maior queda em onze anos. O mesmo levantamento apontou que a intenção de investimento da indústria caiu para 51,3 pontos, o menor patamar desde agosto de 2020. Os dados foram coletados entre 1 e 11 de setembro, com a participação de 1.403 empresas de todos os portes.
Queda da produção industrial em agosto
O indicador de produção industrial, conhecido como Sondagem Industrial, sofreu um recuo de 4,7 pontos em relação ao mês anterior, ficando bem abaixo da marca de 50 pontos que delimita a zona de contração. Essa queda foi observada tanto em pequenas quanto em médias e grandes empresas, refletindo um enfraquecimento generalizado no setor.
Os setores mais afetados foram o de bens de consumo duráveis e o de máquinas e equipamentos, que registraram retrações superiores a 5% em termos de produção. Por outro lado, a indústria extrativa conseguiu manter um crescimento modesto, impulsionada por aumentos nos preços de commodities.
Analistas apontam que a combinação de custos de financiamento elevados e a pressão de tarifas externas, como as impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, contribuiu para a deterioração do cenário industrial.
Intenção de investimento em baixa histórica
O índice de intenção de investimento, que mede a confiança dos empresários em expandir capacidade produtiva, caiu 1,3 ponto, encerrando setembro com 51,3 pontos. Esse número representa a menor leitura desde o auge da pandemia, em agosto de 2020.
Trata‑se da quarta queda consecutiva desse indicador, que vem diminuindo desde maio deste ano. No acumulado, a queda soma 3,5 pontos, evidenciando um pessimismo crescente entre os tomadores de decisão.
Entre os principais motivos citados pelos executivos estão:
- Juros reais ainda elevados, apesar da redução da Selic para 13,75% ao ano;
- Incerteza quanto à demanda externa, especialmente nos mercados norte‑americanos;
- Pressão inflacionária que eleva os custos de insumos;
- Desconfiança em relação à estabilidade regulatória.
Esses fatores criam um ambiente desfavorável para novos investimentos, limitando a expansão de linhas de produção e a modernização tecnológica.
Contexto macroeconômico e perspectivas
O cenário macroeconômico brasileiro permanece marcado por juros reais entre os mais altos do mundo. Embora a taxa Selic tenha sido reduzida em cinco ciclos consecutivos, o juro real ainda supera 10%, desestimulando o crédito para o setor produtivo.
Ao mesmo tempo, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, impulsionado principalmente pela agropecuária, que avançou 2,8% no mesmo período. A indústria, por sua vez, registrou um crescimento tímido de 0,1%, sustentado quase que exclusivamente pelas indústrias extrativas.
Especialistas sugerem que, para reverter a tendência de queda, o governo precisará combinar políticas de redução de custos de financiamento com medidas que aumentem a competitividade das exportações brasileiras, sobretudo nos setores de calçados, têxteis e máquinas.
Enquanto isso, as empresas continuam a adotar estratégias de contenção de custos, como a renegociação de contratos com fornecedores, a otimização de processos produtivos e a adoção de tecnologias de automação de baixo custo.
Em síntese, a combinação de um ambiente de juros altos, pressão tarifária externa e demanda interna fraca cria um cenário desafiador para a indústria brasileira, que precisa encontrar caminhos para manter a produção e retomar a confiança dos investidores.








