Novas pesquisas realizadas entre 10 e 21 de setembro mostraram que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do ex‑presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em duas das cinco simulações de segundo turno. Os levantamentos foram divulgados pelos institutos Quaest, AtlasIntel, BTG/Nexus, Datafolha e CNT/MDA, todos registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Apesar da vantagem em alguns cenários, a diferença está dentro das margens de erro, caracterizando empate técnico.
Panorama das pesquisas recentes
A Quaest registrou 42% de intenção de voto para Flávio e 40% para Lula, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Já a AtlasIntel mostrou 47,2% a favor do senador contra 46,8% do petista, margem de erro de 1 ponto percentual. Em ambas as situações, a diferença está dentro do intervalo de confiança, o que impede conclusões definitivas.
Os demais institutos apontaram resultados diferentes. O BTG/Nexus divulgou 45% para Flávio e 46% para Lula, novamente dentro da margem de erro de 2 pontos. O Datafolha manteve a mesma proporção de 44% a 46% nas duas rodadas realizadas, também com margem de erro de 2 pontos. Por fim, a CNT/MDA registrou uma vantagem mais ampla para Lula, 47,3% contra 40% para Flávio, diferença que supera a margem de erro de 2,2 pontos.
Entendendo as margens de erro
As margens de erro são indicadores estatísticos que expressam a variação provável dos resultados em relação à população total. Quando a diferença entre candidatos é menor que a margem de erro, considera‑se que há um empate técnico. Isso significa que, apesar de um candidato aparecer à frente, a vantagem pode ser fruto de variações aleatórias da amostra.
No caso da Quaest, a diferença de 2 pontos está exatamente na mesma magnitude da margem de erro, o que gera um empate técnico. Na AtlasIntel, a diferença de 0,4 ponto está bem abaixo da margem de 1 ponto, reforçando o mesmo conceito. Apenas a pesquisa da CNT/MDA ultrapassa sua margem, indicando uma vantagem estatisticamente significativa para Lula naquele levantamento específico.
Comparativo entre os institutos
- Quaest: 2.004 entrevistados, período de 10 a 13 de setembro, margem de erro de 2 pontos, registro BR‑03607/2026.
- AtlasIntel: 5.018 entrevistados, período de 11 a 16 de setembro, margem de erro de 1 ponto, registro BR‑06221/2026.
- BTG/Nexus: 2.006 entrevistados, período de 18 a 20 de setembro, margem de erro de 2 pontos, registro BR‑00485/2026.
- Datafolha: 2.002 entrevistados, período de 15 a 17 de setembro, margem de erro de 2 pontos, registro BR‑04029/2026.
- CNT/MDA: 2.002 entrevistados, período de 9 a 13 de setembro, margem de erro de 2,2 pontos, registro BR‑06902/2026.
Observa‑se que a maioria dos institutos utilizou amostras de cerca de 2 mil eleitores, enquanto a AtlasIntel ampliou sua coleta para mais de 5 mil. Essa diferença de tamanho de amostra pode influenciar a precisão dos resultados, já que amostras maiores tendem a reduzir a margem de erro.
Além do tamanho da amostra, a metodologia de coleta (telefone ou presencial) e o período de campo também afetam a representatividade. Por exemplo, a pesquisa da Quaest foi feita em início de setembro, enquanto a do BTG/Nexus ocorreu na última semana do mês, refletindo possíveis variações de humor eleitoral ao longo do tempo.
Implicações para o segundo turno
Os números indicam que a corrida entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva permanece extremamente equilibrada. Mesmo nos cenários em que Flávio aparece à frente, a diferença não ultrapassa as margens de erro, o que sugere que o eleitorado ainda está indeciso ou que as preferências podem mudar rapidamente.
Especialistas apontam que fatores como debates televisivos, alianças partidárias e eventos externos (por exemplo, crises econômicas ou escândalos) podem alterar significativamente o cenário nas próximas semanas. A volatilidade é ainda maior quando se consideram as pesquisas que mostram vantagem clara para Lula, como a da CNT/MDA, que pode indicar regiões ou grupos demográficos onde o candidato tem apoio mais sólido.
Para as campanhas, o principal desafio será consolidar a base de eleitores e ampliar a mensagem para os indecisos. Estratégias de comunicação digital, visitas a estados-chave e a mobilização de lideranças locais são táticas frequentemente usadas para influenciar o voto de eleitores que ainda não definiram sua escolha.
Do ponto de vista dos analistas de mídia, a cobertura jornalística deve enfatizar a natureza técnica dos resultados, evitando conclusões precipitadas que possam distorcer a percepção pública. É fundamental lembrar que as pesquisas são instantâneos de um momento específico e que o cenário eleitoral pode mudar até o dia da votação.
Em síntese, as últimas medições apontam para um duelo apertado, com Flávio Bolsonaro à frente em duas das cinco pesquisas, mas sem uma vantagem estatisticamente significativa. O eleitorado brasileiro continua atento, e os próximos dias prometem intensificar o debate político, preparando o terreno para um segundo turno que ainda pode reservar surpresas.








