Em entrevista concedida à revista VEJA, Kenichiro Hibi, presidente da Sony para a América Latina, abordou a importância estratégica do Brasil para a empresa, destacando os obstáculos fiscais e a necessidade de inovar rapidamente. A conversa, realizada em meados de 2024, trouxe à tona questões sobre preço, tecnologia e concorrência de marcas chinesas e sul-coreanas. O executivo reforçou que a Sony vê o país como um motor de crescimento na região latino‑americana.
O Brasil como motor de crescimento para a Sony
Segundo Hibi, o Brasil está se consolidando como um dos principais mercados da Sony na América Latina, tanto em volume de vendas quanto em potencial de expansão. O país representa uma parcela significativa da receita regional, e a empresa tem registrado crescimento constante nos últimos anos.
Ele explicou que, apesar de a região latino‑americana ser vasta, o Brasil se destaca pela dimensão populacional e pelo poder de compra dos consumidores de tecnologia. A Sony tem investido em campanhas de marketing localizadas e em parcerias com influenciadores digitais para ampliar sua presença.
Além das vendas, a Sony tem buscado adaptar seus produtos às preferências brasileiras, como a demanda por televisores de alta resolução e consoles de videogame com conteúdo local. Essa adaptação inclui suporte em português e serviços de streaming regionais.
Desafios fiscais e o chamado ‘Custo Brasil’
O executivo reconheceu que o sistema tributário brasileiro é complexo e afeta diretamente a precificação dos produtos. Cada estado possui regras específicas, o que gera custos adicionais na logística e na distribuição.
Para contornar esses obstáculos, a Sony adotou estratégias de otimização fiscal, como a centralização de importações em hubs logísticos estratégicos e a negociação de acordos de cooperação com fornecedores locais. Essas medidas visam reduzir o impacto dos impostos sobre o preço final ao consumidor.
Hibi enfatizou que a empresa não pode permitir que o “Custo Brasil” comprometa sua competitividade. Por isso, a Sony investe em eficiência operacional, automatização de processos e em acordos de longo prazo com parceiros de transporte.
- Centralização de importações em hubs logísticos.
- Negociação de acordos fiscais com governos estaduais.
- Automatização da cadeia de suprimentos.
- Parcerias estratégicas com fornecedores locais.
Essas iniciativas permitem que a Sony mantenha margens saudáveis sem repassar aumentos excessivos ao consumidor final.
Estratégias de inovação e competitividade tecnológica
A Sony tem um compromisso firme de levar ao Brasil as tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos no mesmo ritmo que o mercado global. Hibi afirmou que atrasos na introdução de novos produtos podem fazer a marca perder relevância diante da concorrência.
Para garantir a rapidez, a empresa sincroniza o lançamento de consoles, televisores e câmeras em diferentes regiões, ajustando apenas as especificações de idioma e certificações regulatórias.
Além da velocidade de lançamento, a Sony investe em pesquisa e desenvolvimento local, criando laboratórios de teste e centros de apoio técnico em São Paulo e Rio de Janeiro. Esses centros permitem que a empresa adapte rapidamente recursos e funcionalidades às necessidades do consumidor brasileiro.
Outro ponto crítico é a gestão dos custos de semicondutores e memória, que têm subido globalmente devido ao boom da inteligência artificial. Hibi explicou que a Sony está diversificando sua base de fornecedores e negociando contratos de longo prazo para mitigar a volatilidade de preços.
Ele ressaltou que a estratégia inclui também a adoção de componentes mais eficientes energeticamente, reduzindo o consumo e, consequentemente, o custo total de propriedade dos dispositivos.
Concorrência de marcas chinesas e sul‑coreanas
No segmento de televisores, a Sony enfrenta concorrentes diretos de origem coreana e chinesa, que costumam oferecer preços mais agressivos. Apesar disso, a empresa aposta na qualidade de imagem, no processamento de cores e na durabilidade como diferenciais.
Em categorias como câmeras digitais e equipamentos de vídeo, a competição se dá de forma distinta. Hibi apontou que, nesses mercados, as marcas chinesas e coreanas não têm a mesma força que apresentam nos Estados Unidos, Canadá ou Japão.
A Sony, portanto, adapta sua estratégia de acordo com cada segmento. Em televisores, ela enfatiza tecnologia de painel avançado e suporte a formatos HDR. Em câmeras, destaca sensores de alta resolução e recursos de gravação em 4K.
Para reforçar sua posição, a empresa tem investido em campanhas que ressaltam a confiabilidade da marca, o suporte pós‑venda e a integração com ecossistemas de produtos Sony, como o PlayStation e o Xperia.
Além disso, a Sony tem buscado parcerias com criadores de conteúdo digital e influenciadores locais, ampliando a visibilidade de seus produtos em plataformas como YouTube, Instagram e TikTok.
- Foco em qualidade de imagem e durabilidade nos TVs.
- Investimento em sensores avançados nas câmeras.
- Campanhas de suporte pós‑venda.
- Parcerias com influenciadores digitais.
Essas ações visam garantir que, mesmo diante de concorrentes com preços mais baixos, a Sony mantenha sua fatia de mercado e a preferência dos consumidores que buscam performance premium.
Em resumo, a Sony Latam está empenhada em superar os desafios fiscais, acelerar a introdução de inovações e competir de forma inteligente contra marcas chinesas e sul‑coreanas. O objetivo central é oferecer produtos de alta qualidade a preços competitivos, reforçando a presença da Sony no Brasil como um mercado estratégico e em constante crescimento.








