O ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem citado Joe Biden mais de 890 vezes desde o início deste ano, mantendo o democrata como alvo central de seus discursos à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro de 2024. As menções foram registradas em quase 200 eventos públicos, entrevistas e publicações na rede social Truth Social, revelando uma estratégia de campanha que visa desviar a atenção dos eleitores dos próprios desafios de Trump.
A estratégia de Trump nas menções a Biden
Desde janeiro, a campanha de Trump tem usado o nome de Biden como um ponto de referência constante, criando um contraponto que facilita a crítica direta ao governo anterior. O estrategista republicano Ryan Williams explicou à Reuters que a presença de um “adversário específico” ajuda a concentrar a narrativa dos eleitores em falhas percebidas, em vez de questões internas da campanha de Trump.
Essa tática não é nova; durante todo o mandato de Trump, ele frequentemente apontou para o Partido Democrata como responsável por problemas nacionais. Agora, porém, a frequência das menções aumentou, atingindo uma média de três referências por dia, o que indica uma intensificação da retórica à medida que o calendário eleitoral se estreita.
Ao enfatizar Biden, Trump também busca reforçar a percepção de que o Partido Democrata está associado a “desastre, caos e morte”, como afirmou na convenção republicana em Dallas. Essa linguagem forte tem o objetivo de criar uma imagem negativa que ressoe com eleitores indecisos e com a base conservadora.
Os principais temas das críticas
As menções a Biden podem ser agrupadas em três grandes áreas temáticas: economia, imigração e política externa. Cada tema recebeu um número significativo de referências, conforme a análise da Reuters.
- Economia: 210 menções – Trump atribui à administração de Biden o aumento do custo de vida, a inflação e a percepção de estagnação econômica.
- Imigração: 168 menções – O presidente acusa Biden de abrir as fronteiras, permitindo recordes de entradas irregulares e justificando sua proposta de intensificar as deportações.
- Política externa e segurança: 138 menções – Trump critica a postura de Biden em relação ao Irã, à guerra na Ucrânia e à suposta escassez de munições causada pelo envio de armamento americano ao conflito ucraniano.
Além desses tópicos, Trump também faz referência a questões de saúde de Biden, destacando o diagnóstico de câncer de próstata em estágio 4 e a suposta vulnerabilidade do presidente de 83 anos. Essa abordagem visa minar a confiança do público na capacidade de liderança de Biden.
Na esfera econômica, Trump tem usado a Truth Social para afirmar que os aumentos de preços foram provocados diretamente pelas políticas de Biden. Em fevereiro, ele chegou a assumir a responsabilidade pelo desempenho econômico, mas rapidamente redirecionou a culpa ao seu antecessor, reforçando a narrativa de que a situação atual é fruto de decisões democratas.
Sobre imigração, o discurso de Trump enfatiza que as políticas de Biden resultaram em “níveis recordes de entradas irregulares” na fronteira com o México. Essa acusação serve como base para defender a ampliação de sua campanha de deportações, apresentando‑se como o único capaz de restaurar a segurança nas fronteiras.
No campo internacional, Trump acusa Biden de ser “pouco rigoroso” com o Irã e de ter contribuído para a escassez de munições ao enviar armamentos à Ucrânia. Essas alegações são usadas para pintar o governo democrata como vulnerável e incapaz de proteger os interesses dos EUA no exterior.
Impactos políticos e perspectivas
A campanha republicana está focada em manter o controle do Congresso nas próximas eleições de meio de mandato. A estratégia de ataque a Biden serve como um mecanismo de distração, tentando impedir que eleitores concentrem suas preocupações nas falhas da própria administração de Trump.
Entretanto, os índices de aprovação de Trump têm apresentado queda, o que levanta dúvidas sobre a eficácia dessa tática a longo prazo. Analistas apontam que, embora a retórica agressiva possa mobilizar a base, ela pode não ser suficiente para conquistar eleitores indecisos que buscam respostas concretas para problemas cotidianos.
Os democratas, por sua vez, têm tentado mudar o foco da campanha, destacando as realizações de sua agenda e minimizando a narrativa de “desastre” promovida por Trump. A saúde de Biden também tem sido um ponto sensível, com o presidente afirmando que a radioterapia realizada no ano passado “funcionou como esperado” e que a doença está controlada.
À medida que a data de 3 de novembro se aproxima, a disputa de narrativas se intensifica. Se Trump continuar a usar Biden como principal alvo, a campanha poderá se tornar ainda mais polarizada, com o risco de que questões essenciais, como inflação, segurança nas fronteiras e políticas externas, sejam ofuscadas por ataques pessoais.
Em última análise, o sucesso da estratégia dependerá da capacidade de Trump de transformar críticas frequentes em argumentos persuasivos que ressoem com as preocupações reais dos eleitores. Caso contrário, a campanha pode enfrentar um desgaste adicional, especialmente se os eleitores perceberem que a retórica não se traduz em soluções concretas.








