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Parlamento russo registra recorde de 49 veteranos da guerra na Ucrânia

Na última segunda‑feira (21) o partido Rússia Unida divulgou que 49 deputados que participaram da guerra contra a Ucrânia foram eleitos para a Duma, a câmara baixa do Parlamento russo. A eleição, primeira desde o início da invasão em 2022, ocorreu em todo o território controlado pela Federação Russa, inclusive em regiões da Ucrânia ocupadas por Moscou.

Eleição histórica e a presença de veteranos no Duma

O número de ex‑combatentes chegou a 49, representando cerca de 11% das 450 cadeiras da câmara baixa. Esse percentual ultrapassa qualquer marca anterior registrada nas legislaturas russas desde o colapso da URSS.

Vladimir Yakushev, secretário‑geral do Rússia Unida, inicialmente havia anunciado que 86 veteranos seriam eleitos, mas corrigiu a informação para 49 após a apuração final dos resultados.

Os veteranos foram incluídos nas listas partidárias e também concorreram em distritos de candidatura única, demonstrando a estratégia do Kremlin de integrar diretamente os protagonistas do conflito ao processo legislativo.

Segundo a comissão eleitoral, 186 participantes da chamada “operação militar especial” registraram candidatura à Duma. Desses, 110 foram incluídos nas listas de partidos e 76 disputaram vagas em circunscrições uninominais.

Distribuição dos assentos e o panorama partidário

O Rússia Unida consolidou 355 cadeiras, o maior número já obtido pela legenda em toda a história do parlamento russo. O recorde anterior, de 343 assentos, foi estabelecido em 2016.

Além dos veteranos, o restante dos assentos do partido foi preenchido por membros alinhados ao presidente Vladimir Putin, reforçando o controle do Executivo sobre o Legislativo.

Os demais partidos que obtiveram representação foram:

  • Partido Comunista da Federação Russa – 40 cadeiras
  • LDPR (Partido Liberal-Democrata da Rússia) – 25 cadeiras
  • Novos Povos – 20 cadeiras

Essa composição deixa a oposição que se posiciona contra a guerra praticamente ausente do parlamento federal, já que o único partido que se manifestou abertamente contra o conflito, o Yabloko, foi impedido de concorrer pela Suprema Corte.

Reações internas e externas ao pleito

O Kremlin celebrou o resultado como prova do apoio popular ao presidente e à sua política militar, destacando que a vitória esmagadora do Rússia Unida demonstra a confiança dos russos no atual rumo da guerra.

Por outro lado, a Comissão Europeia descreveu as eleições como um “retrocesso para a democracia russa”, apontando para a repressão sistemática da oposição e a manipulação do processo eleitoral.

Organizações de direitos humanos e observadores ocidentais denunciaram a ausência de condições mínimas de competição livre, citando a exclusão de partidos críticos e a presença de urnas em territórios ocupados da Ucrânia, cuja anexação não é reconhecida internacionalmente.

No âmbito interno, a oposição russa afirmou que o pleito ficou longe de ser justo, alegando intimidação de candidatos, restrição de campanha e controle rigoroso dos meios de comunicação.

Implicações para a guerra e para a política russa

A entrada de 49 veteranos na Duma sinaliza a intenção do governo de legitimar a guerra por meio da presença direta de quem a travou nos corredores do poder. Essa estratégia pode facilitar a aprovação de leis que ampliem recursos militares e reforcem a mobilização.

Especialistas apontam que a presença de ex‑combatentes pode influenciar a agenda legislativa, priorizando projetos que favoreçam a indústria de defesa, a ampliação de benefícios sociais para famílias de soldados e a criação de mecanismos de recrutamento mais agressivos.

Nos últimos dias, a Rússia intensificou os bombardeios contra cidades ucranianas, enquanto a Ucrânia respondeu com ataques de longo alcance ao território russo, elevando o risco de escalada.

Além disso, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy acusou Moscou de planejar uma nova campanha de mobilização militar no outono, estimando que o Kremlin pretende recrutar mais 300 mil soldados para sustentar o esforço bélico.

Com a guerra já em seu quinto ano, a falta de perspectivas de conclusão torna a consolidação de apoio interno ainda mais crítica para o presidente Putin, que tem buscado validar seu mandato por meio de demonstrações de popularidade nas urnas.

O resultado também tem implicações para a política externa da Rússia. A União Europeia e os Estados Unidos podem usar a falta de legitimidade das eleições como argumento para aprofundar sanções econômicas e diplomáticas contra Moscou.

Ao mesmo tempo, aliados estratégicos da Rússia, como a China e alguns países da região da Ásia Central, podem interpretar o fortalecimento do bloco governista como sinal de estabilidade interna, o que pode influenciar negociações bilaterais.

Em resumo, a presença de veteranos da guerra no parlamento não só reforça o discurso oficial de vitória, mas também cria um canal institucional para que as experiências de combate sejam traduzidas em políticas públicas, potencialmente prolongando o conflito e consolidando o autoritarismo interno.

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