Na última sexta‑feira, dia 18 de setembro, a Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, vinculada à Secretaria de Direitos Humanos de Guarulhos, recebeu a décima edição do projeto Mulheres de Fibra. O encontro arteterapêutico foi destinado a mulheres que convivem com fibromialgia, condição crônica que provoca dor generalizada, fadiga e ansiedade. O evento também se alinhou ao tema nacional de setembro amarelo, dedicado à valorização da vida e à prevenção do suicídio.
O projeto Mulheres de Fibra
O programa Mulheres de Fibra nasce há mais de uma década, com o objetivo de criar um espaço seguro e criativo para quem lida com fibromialgia. A iniciativa combina terapia ocupacional, arte e apoio psicológico, permitindo que as participantes expressem emoções difíceis de verbalizar.
Ao longo dos anos, o projeto já atendeu centenas de mulheres, proporcionando alívio dos sintomas por meio de atividades que estimulam a sensibilidade tátil e a conexão social. Cada edição traz um tema específico que orienta as dinâmicas, e a edição de 2024 foi dedicada ao Setembro Amarelo.
Além de promover a saúde mental, o projeto reforça a importância da inclusão social, ao integrar a Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão com a Secretaria de Direitos Humanos. Essa articulação institucional garante recursos e apoio contínuo às ações voltadas para grupos vulneráveis.
Dinâmicas e expressões artísticas
A primeira parte do encontro consistiu em uma dinâmica de círculo, onde um novelo de lã foi passado de mão em mão. Cada participante segurou o fio por alguns instantes, simbolizando a interligação entre as mulheres presentes.
Durante esse momento, todas se apresentaram brevemente, compartilhando o que buscam fazer quando sentem que precisam de um novo fôlego de vida. As respostas variaram de praticar meditação a buscar apoio familiar, passando por atividades físicas leves e momentos de leitura.
A troca de experiências gerou forte identificação entre as participantes, que perceberam que não estavam sozinhas diante dos desafios da fibromialgia. A sensação de pertencimento foi reforçada quando cada mulher pôde ouvir as estratégias adotadas por suas companheiras.
Na sequência, a segunda fase do encontro propôs a criação de expressões artísticas usando linhas, tecidos, tintas e outros materiais. Cada participante recebeu um conjunto de itens e foi convidada a representar visualmente suas emoções e a valorização da vida.
Algumas escolheram cores vibrantes para simbolizar esperança, enquanto outras optaram por tons mais sóbrios que remetem à serenidade. O uso de fios entrelaçados ficou como metáfora da rede de apoio que se forma quando mulheres se unem em torno de um objetivo comum.
Ao final da atividade, as obras foram exibidas em um pequeno mural improvisado, permitindo que todas apreciassem o trabalho coletivo. O ambiente foi marcado por aplausos, elogios e, sobretudo, por um sentimento de acolhimento mútuo.
Além das criações individuais, o grupo realizou uma escuta ativa de novas participantes que se juntaram ao projeto ao longo do ano. Essa prática de acolhimento reforça a ideia de que o espaço está aberto a quem busca suporte, independentemente do tempo de envolvimento.
Impacto e perspectivas futuras
Os relatos coletados ao final do encontro apontam melhorias perceptíveis no bem‑estar emocional das participantes. Muitas relataram sensação de alívio imediato ao compartilhar suas histórias e ao transformar sentimentos em arte.
Especialistas da Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão destacam que a arteterapia pode reduzir a percepção de dor e melhorar a qualidade de vida de quem tem fibromialgia. Estudos recentes corroboram esses achados, indicando que a expressão criativa ativa áreas cerebrais ligadas ao controle da dor.
O projeto também serve como ponto de partida para encaminhamentos a serviços de saúde especializados, como fisioterapia, psicologia e acompanhamento médico. A integração entre diferentes setores municipais potencializa o tratamento integral da condição.
Para o futuro, a equipe organizadora planeja expandir o alcance do Mulheres de Fibra, incluindo workshops virtuais que permitam a participação de mulheres de outras regiões do estado. A ideia é criar uma rede digital de apoio que complemente os encontros presenciais.
Outra proposta em desenvolvimento é a realização de exposições públicas das obras produzidas nas sessões, com o objetivo de sensibilizar a comunidade sobre a fibromialgia e a importância da saúde mental. Essas exposições poderiam acontecer em escolas, centros comunitários e até mesmo em espaços culturais da cidade.
Além disso, a parceria com organizações não governamentais que atuam na área da saúde da mulher está sendo fortalecida. Essa colaboração pode trazer recursos adicionais, como voluntários capacitados, materiais artísticos e apoio logístico.
Em síntese, o encontro de 18 de setembro reforçou a importância de iniciativas que combinam arte, terapia e apoio comunitário. Ao colocar em prática estratégias de escuta ativa e expressão criativa, o projeto Mulheres de Fibra demonstra que a luta contra a fibromialgia pode ser enfrentada de forma coletiva e humanizada.
O sucesso da edição também evidencia o comprometimento da Prefeitura de Guarulhos em promover políticas públicas inclusivas, que reconheçam a diversidade de necessidades da população. Essa postura é fundamental para avançar na construção de uma cidade mais acolhedora e saudável para todos.








