A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni anunciou, neste domingo, 20 de outubro, que o governo pretende proibir o uso de véus islâmicos nas escolas e estabelecer um novo limite para a presença de estudantes estrangeiros nas turmas, em um evento do Irmãos da Itália, organização juvenil do seu partido.
Medidas propostas para o vestuário religioso
Durante a reunião, Meloni afirmou que será apresentada ao Conselho de Ministros uma norma que proibirá burcas e niqabs dentro das instituições de ensino. A proposta visa garantir que o rosto dos alunos possa ser identificado em situações de segurança e avaliação.
Segundo a primeira‑ministra, a medida também exigirá que os pais de alunos estrangeiros que apresentem dificuldades de integração aprendam italiano, reforçando a importância da língua como ferramenta de inclusão.
- Proibição de burca e niqab em salas de aula e áreas comuns;
- Obrigação de aprendizado de italiano para pais com dificuldades de integração;
- Manutenção de exceções apenas em casos de justificativa médica ou cultural reconhecida;
- Fiscalização pelas autoridades escolares e pelo Ministério da Educação.
Essas diretrizes se baseiam em uma norma de 1975 que já restringia vestimentas que impedem a identificação, embora a jurisprudência de 2008 tenha permitido véus integrais quando o rosto pudesse ser revelado em procedimentos de identificação.
Limite de estudantes estrangeiros por turma
Meloni também anunciou que o governo pretende definir legalmente um número máximo de alunos estrangeiros por classe, embora ainda não tenha revelado o percentual exato que será adotado.
Atualmente, a legislação permite que até 30% dos estudantes de uma turma sejam estrangeiros, salvo exceções relacionadas ao domínio da língua italiana. Dados do Instituto Nacional de Estatística (ISTAT) apontam que estrangeiros correspondem a cerca de 12% do total de matrículas nas escolas italianas.
O objetivo da nova regra é evitar a concentração excessiva de estudantes de origem migrante em determinadas escolas, o que, segundo o governo, poderia dificultar a integração e o desempenho acadêmico.
Contexto migratório e político na Itália
A Itália tem sido historicamente uma das principais portas de entrada de migrantes para a União Europeia, devido à sua localização estratégica no Mediterrâneo, entre a Europa e a África. Nos últimos anos, o país recebeu um fluxo significativo de pessoas provenientes de nações de maioria muçulmana, o que tem gerado debates intensos sobre políticas de integração e segurança.
Essas discussões ganharam ainda mais relevância no cenário político, pois se aproximam as eleições gerais previstas para o próximo ano. O partido de extrema‑direita Futuro Nacional, que não integra a coalizão de governo, tem defendido regras ainda mais rígidas para o uso de vestimentas como a burca nas escolas e tem aumentado sua presença nas pesquisas eleitorais desde sua fundação em fevereiro.
Ao mesmo tempo, organizações de direitos humanos e grupos religiosos têm criticado as propostas de Meloni, argumentando que a proibição de véus pode violar a liberdade de crença garantida pela Constituição italiana e pelos tratados internacionais.
Reações e perspectivas
As medidas anunciadas geraram reações divergentes entre os diferentes setores da sociedade italiana. Enquanto parte da população, especialmente em regiões do norte, apoia a iniciativa como forma de proteger a identidade cultural e a segurança nas escolas, outras vozes alertam para o risco de estigmatização e exclusão de comunidades migrantes.
Representantes de associações muçulmanas enfatizaram que o véu, para muitas mulheres, é uma expressão de fé e identidade, e que a proibição poderia gerar isolamento e dificuldades de acesso à educação.
Do ponto de vista jurídico, especialistas apontam que o governo precisará alinhar as novas normas com a jurisprudência existente, que já reconheceu a possibilidade de uso de véus integrais desde que o rosto seja visível em momentos de identificação.
O futuro da proposta dependerá da aprovação no Conselho de Ministros e da eventual contestação nos tribunais. Caso a medida seja implementada, escolas de todo o país deverão adaptar seus regulamentos internos, treinar professores e funcionários para lidar com a nova realidade, e monitorar o impacto nas taxas de evasão e no desempenho acadêmico dos alunos.
Em síntese, a iniciativa de Giorgia Meloni reflete uma tendência crescente na política italiana de buscar maior controle sobre a presença de símbolos religiosos nas instituições públicas, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar questões de integração, segurança e identidade nacional.








