Taraneh Rahimi, de 21 anos, está no corredor da morte no Irã após ser condenada por sua participação em manifestações em Isfahan nos dias 8 e 9 de janeiro de 2024. A jovem foi presa junto com a irmã gêmea, Romina, e ambas enfrentam acusações de assassinato e de “guerra contra Deus”. O caso tem gerado forte repercussão internacional e levanta dúvidas sobre o devido processo legal no país.
O contexto dos protestos de 2024
Em dezembro de 2023, o Irã viu o aumento abrupto do custo de vida, que desencadeou uma onda de protestos em várias cidades. As manifestações ganharam força em janeiro de 2024, quando milhares de cidadãos saíram às ruas de Isfahan exigindo melhorias econômicas e maior liberdade política.
As autoridades responderam com forte repressão, usando força policial, balas de borracha e prisões em massa. Organizações de direitos humanos estimam que dezenas de milhares de manifestantes foram detidos nos primeiros dois meses de 2024.
Os protestos noturnos de 8 e 9 de janeiro marcaram o ápice da mobilização em Isfahan. Jovens, estudantes e trabalhadores se reuniram em praças e avenidas, cantando slogans contra a corrupção e a falta de oportunidades.
A prisão e o julgamento das irmãs Rahimi
Uma semana após os protestos, Taraneh e Romina foram abordadas por policiais em sua residência. Ambas, então com 20 anos, foram levadas para a delegacia sem direito a um advogado e mantidas em detenção preventiva por meses.
Em julho de 2024, as duas compareceram a um julgamento secreto em um tribunal montado dentro da prisão de Isfahan. O processo incluiu outras 14 pessoas acusadas de suposta participação nas manifestações.
As acusações contra as irmãs foram duas: envolvimento na morte de um membro da Guarda Revolucionária e responsabilidade pela morte de uma pessoa em situação de rua que teria sido vítima de violência durante os protestos.
- Taraneh foi condenada à pena de morte por “guerra contra Deus”.
- Romina recebeu a sentença de 36 anos de prisão.
Segundo relatos da família, Taraneh sofre de dores crônicas no joelho, condição agravada por uma cirurgia prévia. Um médico recomendou sua transferência para um hospital externo, mas as autoridades recusaram o pedido.
O primo de Taraneh, Masud Nourmohamadi, contou à AFP que a jovem tem sido submetida a tortura física e psicológica. Ele descreveu cenas de violência em que os presos eram forçados a ouvir gritos e ameaças contra seus familiares.
Organizações como o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) e a Human Rights Activists (HRANA) denunciaram a falta de acesso dos advogados ao processo e a inexistência de provas concretas contra as irmãs.
Repercussões internacionais e perspectivas de futuro
A comunidade internacional tem acompanhado o caso com preocupação. A Anistia Internacional e a Human Rights Watch emitiram comunicados exigindo a suspensão da sentença de morte e a garantia de um julgamento justo.
Até o momento, o Irã já executou 29 pessoas, todas do sexo masculino, em conexão com os protestos de 2024. As execuções são vistas como parte de uma estratégia de intimidação contra a população.
Especialistas em direito internacional apontam que a condenação de Taraneh viola múltiplos tratados de direitos humanos, inclusive a Convenção contra a Tortura, da qual o Irã é signatário.
O futuro de Taraneh ainda depende de recursos que ainda não foram apresentados ao tribunal supremo. Advogados de direitos humanos afirmam que há espaço para apelar a decisão com base em irregularidades processuais e na falta de evidências.
Enquanto isso, a irmã de Taraneh permanece encarcerada, enfrentando uma pena de 36 anos. A família tem buscado apoio de organizações de solidariedade e de campanhas nas redes sociais para pressionar o governo iraniano.
O caso também reacendeu o debate interno sobre a necessidade de reformas judiciais no Irã. Muitos cidadãos veem nas sentenças severas um sintoma de um sistema que prioriza a repressão sobre o diálogo.
Em resumo, a situação de Taraneh Rahimi simboliza a luta de milhares de jovens iranianos que, apesar da repressão, continuam exigindo mudanças. O desfecho do seu processo pode servir de marco para futuras políticas de justiça e direitos humanos no país.








