Dupla de ex-funcionárias de Julio Iglesias apresentou, nesta sexta-feira, 18 de setembro, um novo pedido de investigação à Justiça espanhola, alegando agressão sexual, maus-tratos e trabalho forçado durante o período em que trabalharam nas propriedades do cantor nas Bahamas e na República Dominicana.
Reaparecimento das denúncias
As duas mulheres já haviam levado a caso ao sistema judicial em setembro passado, mas a Audiência Nacional de Madri arquivou o processo em janeiro, alegando falta de competência territorial. A decisão não impediu que as denunciante recorressem a outras instâncias, conforme orientação da promotoria.
Agora, as denunciante enviaram uma carta aberta, divulgada pela ONG Women’s Link Worldwide, solicitando que as autoridades espanholas analisem novamente os fatos e garantam seus direitos fundamentais. Elas reforçam que não buscam favores extraordinários, mas a simples aplicação da lei que o Estado espanhol se comprometeu a cumprir.
Contexto das acusações e respostas de Julio Iglesias
Julio Iglesias, que tem 82 anos, negou todas as alegações, classificando-as como “absolutamente falsas”. Em comunicado público, o cantor afirmou nunca ter abusado, coagido ou desrespeitado qualquer mulher, ressaltando que sua conduta sempre foi pautada pelo respeito.
Segundo as denunciante, o cantor teria mantido “situações contínuas de assédio e agressões sexuais”, além de impor “condições de trabalho forçadas e degradantes”. Elas descrevem o ambiente como hostil, com jornadas extensas, tarefas sem remuneração adequada e ameaças veladas de retaliação.
Reação das organizações e demandas das denunciante
A Women’s Link Worldwide, que representa legalmente as mulheres nas questões de direitos humanos, publicou a carta aberta e se comprometeu a acompanhar o caso. No documento, as duas mulheres se descrevem como “latino‑americanas fortes, com sonhos, coragem e esperança de encontrar justiça com dignidade”.
Elas pedem, especificamente, que a Justiça espanhola:
- Reconheça a competência para investigar crimes cometidos no exterior por cidadãos espanhóis.
- Inicie procedimentos de coleta de provas, incluindo depoimentos de testemunhas nas Bahamas e na República Dominicana.
- Garanta proteção às denunciantes contra possíveis retaliações.
Além disso, as denunciante solicitaram que sejam assegurados os direitos de acesso à justiça, proteção e reparação, conforme previsto em tratados internacionais ratificados pela Espanha.
Impactos e histórico do cantor
Nascido em 1943, Julio Iglesias construiu uma carreira internacional que ultrapassa quatro décadas, vendendo mais de 300 milhões de discos e conquistando um público diversificado em países de língua espanhola e além.
Entre seus maiores sucessos estão Soy un truhán, soy un señor, Gwendolyne e Me olvidé de vivir. Sua trajetória inclui colaborações com artistas de renome, turnês globais e múltiplos prêmios, consolidando‑o como um ícone da música latina.
Entretanto, a repercussão de denúncias de natureza sexual e laboral tem potencial de afetar não apenas sua imagem pública, mas também o legado artístico construído ao longo de toda a sua vida. Caso a Justiça decida avançar com a investigação, o processo poderá abrir precedentes sobre a responsabilidade de cidadãos espanhóis por atos cometidos fora do território nacional.
Especialistas em direito internacional destacam que a decisão da Audiência Nacional de Madri, ao reconhecer a falta de competência, pode ser reavaliada à luz de recentes decisões europeias que ampliam a jurisdição sobre crimes graves, como violência sexual, independentemente do local onde ocorreram.
Para o público geral, a notícia reacende o debate sobre a necessidade de mecanismos eficazes de proteção às trabalhadoras migrantes, que muitas vezes enfrentam condições precárias em propriedades de alto padrão, longe de seus países de origem.
Enquanto o caso segue em desenvolvimento, organizações de direitos humanos continuam a monitorar a situação, cobrando transparência e rapidez nas investigações, a fim de evitar que possíveis vítimas permaneçam silenciadas.
O desfecho da denúncia ainda é incerto, mas a mobilização das duas mulheres e o apoio de entidades como a Women’s Link Worldwide demonstram que a luta por justiça pode transcender fronteiras e desafiar figuras públicas de grande notoriedade.








