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Jovem iraniana de 21 anos aguarda execução após protestar contra governo

Taraneh Rahimi, de 21 anos, foi condenada à morte no Irã por participar dos protestos que eclodiram em dezembro de 2025 em Isfahan. A sentença foi proferida em 31 de agosto, oito meses após a manifestação que mobilizou milhares de cidadãos. Ela permanece no corredor da morte enquanto organizações internacionais cobram revisão do caso.

Contexto dos protestos no Irã

O movimento começou no fim de dezembro de 2025, impulsionado pelo aumento vertiginoso do custo de vida e pela desvalorização do rial, que perdeu quase metade de seu valor frente ao dólar ao longo do ano. As ruas de cidades como Isfahan, Teerã e Shiraz foram tomadas por jovens, mulheres e trabalhadores que exigiam reformas econômicas e políticas.

As manifestações ganharam força rapidamente, transformando-se em um amplo desafio ao regime teocrático que governa o país desde 1979. O governo respondeu com força policial, uso de armas automáticas e detenções em massa. Segundo a HRANA, mais de 5.800 pessoas morreram e mais de 41 mil foram presas até janeiro de 2026.

  • 5.848 mortes confirmadas pela HRANA
  • 209 integrantes das forças de segurança entre os mortos
  • 41.283 detidos registrados

A repressão foi descrita por ONGs como uma das mais letais das últimas décadas, com relatos de espancamentos, torturas e até estupros dentro dos centros de detenção.

Detenção e condenação de Taraneh Rahimi

Taraneh e sua irmã gêmea Romina participaram dos protestos em Isfahan em janeiro de 2026, integrando a multidão que exigia melhorias econômicas. Uma semana depois, a polícia invadiu a residência onde elas estavam e efetuou a prisão de ambas.

Durante o processo, Taraneh foi acusada de envolvimento em um confronto em uma praça que resultou na morte de dois indivíduos, incluindo um membro das forças de segurança. Em 31 de agosto, o tribunal a condenou à pena de morte, enquanto outros acusados receberam até 36 anos de prisão, entre eles sua irmã Romina.

A defesa alegou que as confissões foram obtidas sob coação extrema. Segundo relatos da família, autoridades ameaçaram torturar Romina na presença de Taraneh, forçando-a a assinar documentos que incriminavam a própria pessoa.

Denúncias de tortura e condições de saúde

Família e organizações de direitos humanos afirmam que Taraneh sofre tortura física e psicológica constante. O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) alertou que a jovem tem dificuldade para caminhar e apresenta sinais de danos físicos graves.

Testemunhas relataram que os presos eram submetidos a espancamentos, choques elétricos e humilhações verbais. Em alguns casos, os torturadores utilizavam ameaças de violência sexual contra familiares para obter confissões.

Além do sofrimento físico, Taraneh enfrenta um isolamento severo. Ela tem acesso limitado a cuidados médicos e depende de visitas de familiares que são monitoradas pelas autoridades.

Repercussões internacionais e perspectivas

Organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch classificaram o julgamento de Taraneh como injusto e pediram a suspensão imediata da execução. O governo dos Estados Unidos e a União Europeia emitiram declarações de preocupação e solicitaram acesso a observadores independentes.

Até o momento, a sentença ainda pode ser contestada em instâncias superiores, mas o histórico de execuções no Irã indica que a pressão internacional tem pouco impacto nas decisões judiciais. Desde o início dos protestos, 29 homens foram executados por suposta participação nas manifestações.

Os ativistas argumentam que o uso de penas de morte serve para espalhar medo e desestimular novos levantes. O regime, por sua vez, justifica as medidas como combate ao “terrorismo” e à influência estrangeira que, segundo autoridades, financia a instabilidade.

Enquanto o caso de Taraneh Rahimi segue nos tribunais, a sociedade civil iraniana continua a buscar formas de resistência, seja através de protestos silenciosos, redes sociais ou apoio a famílias de presos. O futuro da jovem permanece incerto, mas seu caso se tornou símbolo da luta pelos direitos humanos no país.

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